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Os conflitos e as formas de prevenção dos impactos da pandemia na saúde familiar

A Comissão Especial da Saúde da OAB/RS (CES) realizou, nesta quinta-feira (8), a segunda edição do CES Conexões, dessa vez, com o tema “A saúde da família em tempos de pandemia”. O evento foi transmitido em nosso canal do YouTube e você pode assistir clicando aqui. Na abertura, a presidente da CES, Mariana Diefenthaler, reforçou que a comissão trabalha com a saúde para além da questão da prevenção do adoecimento físico e mental, mas também pelo olhar social. “Quando um ente da família adoece, a família inteira adoece, de certa forma. Com os impactos trazidos pela pandemia, não são só os casos de Covid-19 que preocupam, pois há várias outras questões, trazidas pelas mudanças de rotina e pelas desigualdades, que afetaram as famílias”, apontou ela, que encerrou sua fala comentando a interdisciplinaridade do evento. A troca de saberes entre as comissões ficou expressa ainda na abertura, que também teve participação do presidente da Comissão Especial de Direito Imobiliário (CEDI), Ricardo Vogt. “A CES está de parabéns por promover essa interlocução entre várias áreas. Sabemos que há reflexos do isolamento, como a devolução de imóveis residenciais e comerciais, mudança para outros locais, adaptação da casa para receber o home office, mudança de pessoas para outras regiões, como o litoral, e outras transformações na vida das cidades, o que impactou os sistemas públicos de saúde e trouxe afetações para a saúde de muita gente”, explicou. A abertura contou ainda com a secretária-geral da CES, Ana Paula Adede y Castro, que falou dos efeitos das mudanças de rotina das famílias. A mediação do evento foi feita pelo presidente da Comissão da Saúde na Subseção de Canoas, Lucas Lazzaretti, e pela vice-presidente da comissão na mesma subseção, e membro da CES, Vanessa Rodrigues. O primeiro palestrante da noite foi o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família no Rio Grande do Sul (IBDFAM/RS), Braulio Dinarte da Silva Pinto. Sua fala foi no sentido de ajudar a compreender o que a pandemia provocou nas ações e nos processos de Direito de Família. Para ele, a previsão de que o número de pórcios e de extinção de uniões estáveis aumentariam, não se comprovou. Para ele, esses vínculos estão sendo extintos com menor nível de necessidade da intervenção do Poder Judiciário. “Por outro lado, cresceu muito o número de conflitos relacionados à convivência familiar e aos valores de pensões alimentícias que são fixados nas ações de Direito de Família”, afirmou ele, que também é professor e advogado da área. A segunda exposição foi da presidente do Conselho Municipal de Entorpecentes de Santa Maria, Raquel Pretto, que falou sobre alcoolismo e prevenção, e as formas e meios para obter ajuda: “O uso excessivo de álcool e drogas é uma doença que cresceu muito durante a pandemia em persos países do mundo. É algo que causa grande sofrimento a todos os membros do lar e favorece o desenvolvimento de conflitos internos. A prevenção passa por uma série de medidas que devem ser tomadas dentro das famílias, com responsabilidade e acolhimento”, explicou Raquel, que também ocupa a vice-presidência da Comissão de Direito Médico e da Saúde na Subseção de Santa Maria da OAB/RS. O pediatra Jocelyn Alberton Spolaor Junior foi o terceiro palestrante do evento. Ele abordou as desigualdades que a pandemia causou e seus reflexos. “A pandemia afetou as pessoas de formas diferentes. Enquanto surgiram 11 novos bilionários nesse último ano, muitas famílias passaram por sérias dificuldades. Vemos muitas situações familiares em que a casa não é o ambiente mais seguro para as crianças, então, não está aparecendo o benefício do convívio dos pais e mães com filhos e filhas. Porque ficou evidente que muitas pessoas não estão preparadas para serem responsáveis pelas crianças em tempo integral”, alertou ele. Seguindo com o debate sobre o papel de pais e mães no desenvolvimento das crianças, o psicólogo Clínico e Forense Maxwell dos Santos Pavione encerrou a rodada de palestras. A partir de sua experiência em consultório, comentou “os pais não estão sabendo mais como exercer sua função”. Para ele, os ritos como fazer as refeições juntos, ter momentos de lazer em família e até gestos como os abraços são fundamentais para o bem-estar de todos os membros de uma casa: “Muitos pais e mães se assustaram ao perceber que não são os modelos que seus filhos seguem”, relatou ele.
09/04/2021 (00:00)
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